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Conheça a “Nova bariátrica”, técnica que dispensa cortes e cirurgias

Conheça a “Nova bariátrica”, técnica que dispensa cortes e cirurgias

Quando o assunto é cirurgia, algumas pessoas ficam com receio, seja pelos cortes, cicatrizes ou pós-operatório, e com a cirurgia bariátrica não seria diferente. Mas a boa notícia é que os pacientes com sobrepeso ou obesidade moderada (Índice de Massa Corporal – IMC acima de 30 Kg/m²) podem tratar o excesso de peso por meio de um método menos invasivo e realizado por meio de endoscopia, a gastroplastia endoscópica.

O método aprovado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) em novembro de 2017 não utiliza cortes e pode reduzir o estômago em até 60%, e assim, promover a saciedade facilitando o emagrecimento. Após realizar o procedimento, seguindo as recomendações da equipe multidisciplinar, o paciente tem a possibilidade de perder, pelo menos, de 20% a 25% em relação ao peso original.

Como funciona?

A nova técnica não chega a ser uma cirurgia, apesar de ser realizada em centro cirúrgico e com anestesia geral. Na gastroplastia endoscópica, um aparelho (endoscópio flexível), com uma câmera de alta resolução, é inserido no corpo do paciente pela boca até chegar ao estômago. Na ponta desse aparelho está acoplado um dispositivo, chamado overstitch (“costurador” em inglês), responsável por costurar parte do órgão para diminuir seu tamanho para ficar em formato de tubo, dessa forma, o estômago fica mais restritivo e não consegue dilatar.

Bariátrica convencional x Gastroplastia endoscópica

Um dos principais fatos que chama a atenção do paciente é a diferença de tempo para a realização de cada um dos procedimentos. Enquanto na bariátrica tradicional, a cirurgia dura em torno de 2 horas, no novo método, leva cerca de 50 minutos. Além disso, a gastroplastia endoscópica não necessita que o paciente fique internado, após 2 a 4 horas de realizar o procedimento, ele recebe alta, o que diminui os riscos do pós-operatório. E o mais interessante é que passada uma semana da realização da cirurgia, o paciente está apto a retomar suas atividades.

Já a rotina de exames para realização do novo procedimento segue o mesmo protocolo da cirurgia bariátrica, pois também se trata de um procedimento irreversível, sob anestesia geral e em pacientes obesos. Então é necessária a realização de vários exames de sangue, principalmente para avaliar doenças metabólicas e hormonais, tais como diabetes e hipotireoidismo, que devem ser corrigidas em conjunto com o processo para não atrapalharem o emagrecimento.

Os resultados obtidos pela gastroplastia endoscópica, no mundo, são animadores. Além da perda de peso no primeiro ano entre 20 e 30% do peso total antes da cirurgia, a média de perda do excesso de peso está em torno de 50%. Esses índices são bastantes similares ao do balão gástrico, com uma diferença, o balão não pode ser realizado por quem já passou por alguma cirurgia do estômago, enquanto a gastroplastia endoscópica é indicada para pessoas com esse perfil.

Outra vantagem da “nova bariátrica” é o valor. Em média a gastroplastia endoscópica custa 17 mil reais, 30% mais barata do que a bariátrica convencional.

A desvantagem é que ao contrário da bariátrica tradicional, o método por meio da endoscopia não é coberto por convênios e nem oferecido pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

É importante frisar que após ambos procedimentos, o paciente precisa ter acompanhamento de nutricionista, psicólogo e médicos e a promover mudanças de hábitos e estilo de vida.

Indicações

Estão aptos a realizar a redução de estômago por meio da endoscopia, pessoas com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 30kg/m², ou seja, para pacientes que precisam perder entre 15 a 30 kg de forma sustentável.

Também pode ser uma opção para obesos mórbidos, ou seja, IMC maior que 40, quando estes não podem ou não querem ser operados, atentando que esse método não promoverá a mesma perda que as cirurgias bariátricas.

É indicado para pacientes que já falharam no tratamento da obesidade com dietas, exercícios ou medicamentos e também não obtiveram o resultado desejado com o balão intragástrico.

Atenção; nem todas as pessoas com excesso de peso podem realizar esse procedimento. Não é recomendado, por exemplo, para pessoas acima de 65 anos. Portadores de alguma doença importante no estômago, tais como varizes e tumores prévios estão contraindicadas. Também pacientes com lesões pré-cancerígenas, em uso crônico de anticoagulantes, portadores de distúrbios alimentares graves tais como bulimia e compulsão não se pode indicar, como ocorre com pacientes portadores de transtornos psiquiátricos graves.

Portanto, mesmo com todas as vantagens que a gastroplastia endoscópica apresenta, a orientação médica é indispensável e o cuidado tanto antes quanto após a técnica são fundamentais. Outro ponto que não deve passar despercebido é que cuidado não pode se limitar ao físico, mas deve expandir-se também ao psicológico, pois a pessoa precisa estar aberta às mudanças pelas quais seu corpo vai passar e entender a importância de buscar uma melhor qualidade de vida.

Dr Mauro Jácome

Sobre o autor | Website

(CRM: 28114 | RQE: 233100 | RQE: 23311 | RQE: 23312) - Cirurgião geral e cirurgião gastroenterologista com mais de 15 anos de experiência em tratamento da obesidade e sobrepeso. Formado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), com residência médica em cirurgia geral e do aparelho digestório. Possui mestrado em gastroenterologia e Endoscopia Digestiva pela UFRJ - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho; é Endoscopista e Gastroenterologista desde 1999. Possui ainda os Títulos nacionais da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva; Sociedade Brasileira de Gastroenterologia; Sociedade Brasileira de Cirurgia Laparoscópica; e Títulos internacionais: American Society for Gastrointestinal Endoscopy; American Gastroenterological Association; Associat ion for Bariatric Endoscopy;European Society for Gastrointesinal Endoscopy.

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