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Entenda como funciona a cirurgia endoscópica da coluna vertebral, técnica permite recuperação curta e retorno rápido ao médico

A coluna vertebral precisa de atenção redobrada, porém algumas pessoas não têm o devido cuidado por não entender sua importância. Uma pesquisa realizada pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) entre 2012 e 2018 apontou que as dores de coluna lideram o ranking de afastamento e pagamento do auxílio doença, além de ser a terceira causa de aposentadoria por invalidez no Brasil. Má postura, sedentarismo, passar horas sentado na mesma posição, carregar peso em excesso, tudo isso, em longo prazo, pode levar a doenças como hérnia de disco, lombalgia, artrose na coluna, desvios posturais além de outros problemas que, em alguns casos, só podem ser tratados com cirurgia. Até então, a cirurgia convencional era a única saída, resultando em necessidade de anestesia geral, repouso de meses e risco cirúrgico mais elevado. A novidade é que, agora, a pessoa pode optar por um método menos invasivo – a cirurgia endoscópica da coluna. Nela, o cirurgião consegue enxergar, por meio de uma câmera de alta resolução, qualquer segmento da coluna, por isso, a tecnologia não se limita a tratar apenas casos comuns de hérnia de disco lombar, mas pode ser usada para tratar outras doenças que causam compressões neurológicas em qualquer região da coluna, estenoses, cistos facetários, hérnias discais, dor do nervo ciático e mesmo em casos recidiva de hérnia ou compressões residuais após cirurgias tradicionais de coluna. 

Como funciona? 

Ao invés de grandes cortes com anestesia geral e o risco de ter musculatura, ligamentos e estruturas ósseas danificadas num processo cirúrgico convencional, na cirurgia endoscópica da coluna é feita uma incisão de pouco mais de 0,5 centímetros a partir da qual o cirurgião passa um tubo de calibre milimétrico com câmera inserida através da cânula. A câmera captura e projeta imagens em tempo real do local da cirurgia em um monitor com visão direta para o cirurgião, que consegue acessar com precisão a coluna vertebral e remover a hérnia de disco, além de descomprimir a região, sem gerar dano significativo sobre o local operado. Quando a operação é concluída, os equipamentos são removidos e a pequena incisão é fechada com sutura e curativo. 

Trata-se de uma técnica criada para fornecer um tempo de recuperação rápido e menos doloroso que os métodos tradicionais. A perda de sangue é mínima, assim como o desconforto do pós-operatório; muitos vão para casa no mesmo dia do procedimento, que não causa instabilidade da coluna, evitando o uso de parafusos. A cirurgia endoscópica da coluna também ajuda a preservar a amplitude de movimentos das vértebras, e pode ser realizada com anestesia local e sedação leve, diminuindo os riscos para pacientes idosos e/ou com outros distúrbios coexistentes. Para se ter uma ideia, é possível que o paciente permaneça acordado e conversando com o cirurgião. O tempo do procedimento é de cerca de 60 minutos e normalmente o paciente pode ter alta após algumas horas.

Histórico e outras indicações

Além de tratar hérnia de disco e outras doenças que comprimem as raízes nervosas da coluna, a endoscopia da coluna também pode ser utilizada para realizar biópsias de tumores e tratamento cirúrgico de infecções.

Mesmo não sendo um procedimento recente ou novo, já que a cirurgia endoscópica da coluna existe há 30 anos, nos últimos oito anos, os instrumentos e a tecnologia evoluíram muito, o que tornou o procedimento mais versátil, indicado para uma variedade maior de casos. Mesmo assim, a endoscopia da coluna ainda tem um custo mais alto do que a cirurgia convencional e ainda não é realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e nem coberto pela maioria dos planos de saúde.

Contraindicações 

Nem todos os problemas na coluna têm indicação para essa técnica e, dessa maneira, um ortopedista de coluna ou neurocirurgião com experiência específica deve ser consultado para realizar uma avaliação cuidadosa que consiste na história da doença, exame físico completo e exames de imagem como: ressonância magnética, radiografias da coluna vertebral e nos casos crônicos, uma tomografia computadorizada.

É importante que o paciente e cirurgião conversem sobre as diversas opções de tratamento, assim como os riscos inerentes de cada uma delas. Geralmente, a cirurgia endoscópica da coluna não é adequada para casos de instabilidade espinhal clara, correção de deformidades como escolioses e hipercifose ou para traumas.

Benefícios contextuais

Segundo a OMS (Organização Mundial de Saúde), 40% das dores lombares evoluem para algum problema crônico que gera diminuição da produtividade, além disso, as dores de coluna lideram o ranking de afastamento e pagamento do auxílio doença, sendo a terceira causa de aposentadoria por invalidez no Brasil. Nesse contexto, o avanço tecnológico da cirurgia endoscópica da coluna poderia trazer grande economia para os cofres públicos, já que o tempo de recuperação dos trabalhadores afastados por problemas de coluna reduziria consideravelmente, reduzindo-se também o tempo de pagamento do auxílio doença. 

Minha expectativa, como cirurgião e ortopedista da coluna vertebral, é de que a saúde em nosso país avance a ponto de, um dia, poder proporcionar a uma parcela maior da população o acesso a essa tecnologia. Sem dúvida, a cirurgia endoscópica da coluna trará mais qualidade de vida e maiores chances de recuperação para grande parte das pessoas que sofrem de problemas da coluna e dores nas costas. 

Dr Daniel Oliveira

Sobre o autor | Website

- Dr Daniel Oliveira (CRM-MG 39615 / RQE 17617 (ortopedia e traumatologia): Daniel Oliveira é mineiro de Belo Horizonte. Sua história com a medicina começou em 1998, quando ingressou na Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG. Ao longo do curso, buscou estágios extracurriculares e um internato internacional na área de Ortopedia do Hamot Medical Center, em Erie, Pensilvania – EUA. Decidiu seguir o caminho da Ortopedia ao perceber como essa especialidade pode melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. A Residência Médica foi realizada no Hospital Ortopédico de Belo Horizonte, entre 2004 e 2006. Na mesma época, o Grupo de Coluna do Hospital Ortopédico liderava uma revolução no tratamento das patologias de coluna no Brasil, com a introdução de técnicas cirúrgicas minimamente invasivas. A possibilidade de tratar pacientes com problemas na coluna de maneira inovadora, com o mínimo de dano tecidual e recuperação precoce levou o Dr. Daniel a buscar mais aprofundamento na técnica. Nesse período, ele também realizou o estágio em ortopedia pediátrica no Shriners Hospital for Children, em Erie, Pensilvania – EUA, com imersão na área de correção da escoliose e outras deformidades da coluna em crianças e adolescentes. Em 2007, Dr. Daniel Oliveira especializou-se no tratamento e cirurgia de coluna vertebral no Hospital Ortopédico de Belo Horizonte. E, em 2008, completou a formação com dois programas internacionais de Fellowship: o primeiro no Rady Children’s Hospital, sob chefia do Dr. Peter Newton, com foco no tratamento da coluna de crianças e adolescentes; e o outro no San Diego Center for Spin al Disorders, sob chefia do Dr. Behooz Akbarnia, com foco no tratamento minimamente invasivo de deformidades da coluna no adulto, utilizando a técnica XLIF.

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